Calendário Gastronômico

Dia da Baiana do Acarajé

Ela veste o branco com dignidade, equilibra tabuleiros como quem carrega história e serve um dos sabores mais marcantes da cultura afro-brasileira: o acarajé. Hoje celebramos a força, a fé, o saber e a resistência da baiana de acarajé — guardiã de uma tradição que é muito mais do que culinária: é símbolo de ancestralidade.
Por que essa data é tão importante?
O Dia Nacional da Baiana de Acarajé, comemorado em 25 de novembro, reconhece oficialmente o papel dessas mulheres na preservação das tradições afro-brasileiras, especialmente da religião, da culinária e da oralidade.
A data foi escolhida por coincidir com o Dia Nacional da Consciência Negra (20/11) e com o dia de Santa Catarina de Alexandria, padroeira das baianas.
Muito além da comida
A baiana de acarajé não é apenas uma vendedora ambulante. Ela é, muitas vezes, filha de santo, detentora de saberes sagrados, responsável por manter ritos, práticas e uma culinária carregada de simbolismo. O acarajé, por exemplo, tem origem nos rituais do candomblé — oferecido a Iansã — e foi ressignificado como produto comercial, sem perder sua alma.
O que tem no tabuleiro da baiana?
Acarajé: bolinho de feijão-fradinho frito no azeite de dendê, crocante por fora e macio por dentro
Vatapá e caruru: acompanhamentos tradicionais
Camarão seco: sempre presente
Pimenta: como manda a tradição
Sorriso e firmeza: ingredientes invisíveis, mas indispensáveis
Curiosidades que vale conhecer:
Em 2005, o ofício da baiana de acarajé foi reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial do Brasil pelo IPHAN.
Existe uma forte mobilização para garantir o espaço e o respeito à atuação dessas mulheres nos espaços públicos.
Há variações do acarajé em outros países de herança africana, como o akara, na Nigéria.
Honrar a baiana é respeitar a força das mulheres negras, o legado africano e a riqueza da culinária de matriz religiosa. Hoje, celebramos mais do que um prato: celebramos uma identidade.
